—Entra na banheira — disse a pessoa que tinha levado a Alesha até aí ; — aqui tens uma toalha. Lava o cabelo. Tentaremos limpar as roupas da melhor maneira possível.
Alesha entrou na banheira; custou-lhe bastante trabalho tirar toda a porcaria que tinha no seu coiro cabeludo, mas no fim conseguiu.
A outra rapariga também tinha tido problemas na sessão de beleza; pegou em duas camisolas de manga curta, e deu uma à Alesha, que lhe agradeceu.
—Não te preocupes— respondeu a rapariga.
—Como é que sabias onde estava o balneário se tu também és nova aqui?
—Eu já conhecia a escola. Tinha aulas de teatro aqui.
—Eu tambem tive aulas de teatro— disse Alesha sorrindo.
—Bom, ainda nem sequer nos apresentamos — a miúda também sorria — Olá, chamo-me Alessandra.
—Olá, Alessandra. És italiana?
—O meu pai é italiano, e a minha mãe é portuguesa. Queriam que eu me chama-se Alexandra, e decidiram pôr-me esse nome em italiano...
—Ah, ok! É um nome muito bonito! Chamo-me Alesha.
—O Teu nome também é muito bonito. És a primeira pessoa que eu conheço com esse nome.
—Obrigada!
—Acho melhor não sairmos daqui antes de que as coisas se acalmem; podia ser perigoso —riram-se e olharam para as suas roupas. Sim, de facto era melhor não sairem de donde estavam.
—Mas podemos ir, pelo menos, ao ginásio, não?—Alesha queria ver o que se passava lá fora.
—Sim, claro—disse a outra rindo-se.
Passaram, então ao ginásio. Este era bem grande, e podia-se, além de fazer ginástica, jogar basquete, voleibol. Só se podia jogar à bola no pátio.
Alesha olhava pela janela; pensava que conseguiria ver alunos a serem massacrados, no bom sentido da palavra. Mas Alessandra acabou com a sua pequena e instantânea felicidade:
—Não vais conseguir ver nada; não se pode praxar a ninguém neste pátio. Está proibido— Alessandra ergueu a sobrancelha e sorriu, enquanto Alesha exclamava um suave "oh!".
Raphael Gonçálves